quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Como todo bom mineiro


Todo o ano é a mesma coisa e você nem queria dizer que não. Eu sei o que estou falando. Mineiro que é mineiro de verdade espera ansioso pelo verão. São 11 meses árduos de trabalho, ralação, salários atrasados, problemas diversos e outras encrencas. Tudo isso levamos numa boa somente para esperar o dia de partimos para o litoral. Aqui não tem praia e o desejo inconsolável para se esbaldar em frente ao mar é avassalador. Neguinho fica o ano inteiro sem sair, sem gastar, sem comer, apenas para juntar uns trocados e pagar uma excursão para o Espírito Santo. Foda-se as contas pendentes, o negócio é voltar com uma marquinha de sol e um tererê no cabelo. É a coisa mais brega, mas é a pura verdade (risos).

Depois de 6 longos anos sem ir à praia, arrumei um feriado prolongado na última hora (milagres acontecem) e em um ato rebelde resolvi largar o mar de concreto e salgar o meu lindo glúteo na água salgado. Eu sou branco por natureza, mas confesso que nesses últimos dias eu já me considerava transparente. Muita gente chegou a imaginar que eu estava doente, mas o fato é que 78 meses dentro de um apartamento não faz bem a ninguém. Minha namorada foi quem deu a brilhante idéia e antes mesmo de concluir o seu pensamento eu já tinha concordado e comecei a arrumar as malas. Isso me fez um pouco de mal, porque a partir desse momento eu não consegui pensar em mais nada. Só falava na viagem e mesmo aqui em Minas eu já sentia o cheiro da maresia. A viagem foi marcada tão de sopetão que nem deu tempo de chamar algum amigo ou conhecido e lhe confesso que isso foi muito bom, pois eu precisava viajar sozinho com minha namorada, conversar um pouco e colocar a cabeça no lugar.

Combinamos de sair de Minas em direção ao mar às cinco da matina, mas uma chuva estrondosa desabava sobre os céus da minha cidade natal e atrasamos alguns minutos, que para mim eram preciosos. Pensei: Alegria de pobre dura pouco. Espero 6 anos por isso e agora o mundo resolve acabar em água? PQP. Comprei todas as guloseimas para a viagem, separei os melhores cd´s que eu tenho, lavei o carro impecavelmente, levei o possante para a revisão e agora vou pegar chuva? Era o que me faltava.

Mas como eu já havia prometido a mim mesmo que nada iria me tirar do sério, eu resolvi não absorver a ira do tempo e liguei o foda-se. Eu estava indo para descansar e nem a chuva me impediria de tomar minha cerveja gelada de frente para o mar.

Ahhhhh, esqueci de falar qual era o meu destino. Como todo bom mineiro eu estava indo para Guarapari-ES. Apesar de todo mundo ir para lá eu até então não conhecia o lugar. Confesso que eu não sabia se sentia vergonha ou superioridade de não conhecer “A Praia de Minas”. Mas tive boas surpresas naquele território praiano.


Pegando a Rodovia Federal, enormes crateras me receberam de braços aberto, em cada buraco havia um carro parado. Talvez a intenção seja reduzir o número de visitantes ao Espírito Santo, uma vez que a mineirada faz uma bagunça infernal. Essa foi a única explicação que eu encontrei, porque eu pago o IPVA todo ano (e já está chegando mais um) e falta de dinheiro para arrumar a BR não pode ser. Mas graças a Deus eu não caí em nenhum e podemos considerar isso um milagre. Apesar da chuva intensa que ainda continuava eu consegui chegar são e salvo. Muitos motoristas roda-dura tentaram me tirar da estrada, mas não foi dessa vez. Eu estava com o pensamento fixo no litoral e chegaria lá de qualquer jeito. Comi todas as porcarias que comprei na estrada, tirei milhares de fotos nos restaurantes de beira de estrada e o visual era o mesmo. Cinza, chuvoso e muita neblina. A vontade de chorar de raiva me apertava a garganta a todo instante, mas minhas energias positivas estavam varrendo as nuvens negras para outro lugar. Já no Estado do Espírito Santo perguntei a um nativo como estava o tempo nesses últimos dias e ele me respondeu com um sorriso nos olhos que há 15 dias não parava de chover e a previsão era de mais chuva nos próximos 10 dias. FODEU!!! Foi o que eu falei para a minha namorada, co-piloto, guia e outras coisas (ela foi a companhia perfeita). Agora eu tinha a certeza que não veria o sol. Só podia ser praga de algum invejoso. Pobre quando não vai a praia, seca os que vão. Malditos.

Vi que o movimento na estrada era intenso no sentido para o litoral e nem quis saber da chuva. Liguei o meu carango e segui viagem. Por incrível que pareça uma abertura surgiu no céu e uma luz fraca começou dar o ar da graça. Meu santo é forte. A alegria foi geral, pelo menos no meu carro e acredito que nos demais também. Até foto da inusitada cena nós tiramos, era um milagre. Tudo que o nativo tinha dito há uns 15 minutos atrás estava indo ralo abaixo. E realmente a chuva foi embora, parei o carro e começamos a dançar. Festejar a energia solar que iria restabelecer a nossa alegria.

Chegando em Guarapari me deparei com uma situação corriqueira. Eu precisava chegar a casa que iríamos ficar, mas nenhuma placa indicava o local. No Brasil isso é super natural. O turista tem que adivinhar onde é. Acho que também não é por maldade ou falta de estrutura, mas essa situação deve ser para estimular o convívio social, a interação, a conquista de novos amigos, a comunicação. Se você não acha o lugar desejado, o mais correto é parar e tentar se informar com alguém que conhece. Isso estimula a troca de informações e o contato. O Brasil é um país diferente, acolhedor, receptivo, não é verdade? Parei em vários locais diferentes para perguntar como eu iria chegar ao local desejado e minha ânsia por uma cerveja gelada era ainda maior.


Todo mundo estava de biquíni e sunga. Achei estranho no começo, eu já tinha me esquecido como era o clima de praia. Fui seguindo beira-mar até me aportar na casa onde eu passaria meus próximos 7 dias. O lugar era maravilhoso e uma completa infraestrutura estava esperando por mim. Piscina, sauna, área para churrasco, fogão a lenha. Tudo que eu precisava para ficar ainda mais feliz tinha lá. Já sabia que sóbrio era um estado que eu não ficaria nessa semana. Isso sem falar na galera que morava na casa e algumas outras visitas. Uma família muito acolhedora e alegre.

Nem reconheci o ambiente direito e já me chamaram para ir a um quiosque onde havia uma música ao vivo. Isso foi a mesma coisa que jogar o sapo na água. Mas a chuva voltou a cair. Nesse momento eu não estava nem aí. O barzinho estava lotado e mesmo molhados a moçada não deixava a animação cair. A música seguia em um ritmo frenético na mesma intensidade que a cerveja descia garganta abaixo. Até uma palinha eu dei no quiosque cantando uma música do Capital Inicial. Parece que todos gostaram, porque bateram muitas palmas logo que acabei. Será que eles ficaram satisfeitos pelo fim do martírio. Será que canto mal assim? Eu nem quis pensar nisso (risos), tava bão demais. Lá pelas tantas fomos embora sem saber onde eu estava. Ainda bem que alguns amigos me guiaram até a minha morada. Logo no primeiro dia eu já coloquei o pé na jaca. E mesmo antes de terminar aquela noite eu já estava pensando no dia seguinte. Afinal de contas eu ainda não tinha caído no mar. Amanhã seria o grande dia.


Acordei às 5 e 20 da manhã só para ver se a chuva tinha parado. Novamente encontrei um espaço aberto entre as nuvens e despertei minha namorada para comemorar comigo. Ela perguntou se eu era louco e me mandou dormir, mas logo começou a rir da situação. Fiquei enrolando até dar umas 6 horas e não agüentei mais. Levantei e comecei a me preparar para a celebração. Cair no mar depois de 6 anos pode se considerar um momento sublime. Me lambusei de protetor solar, tomei um café reforçado e segui para o mar como uma tartaruga depois de botar os ovos na areia da praia. Escolhemos o melhor quiosque e começamos. Garçom desce uma, outra, mais uma, duas, espetinho por favor, água de coco, camarão, peixe... eu parecia um menino no litoral. Comi de tudo. O calor foi apertando e pensei mil vezes antes de tirar a blusa. Todo mundo morenino e eu branco como uma cera. Fiquei sem graça, mas quer saber, para ficar morenino como eles eu vou ter que começar agora. Daqui a alguns dias eu ir estar na cor do pecado. Olho só: o mar a minha frente, uma cerveja e uma ótima companhia. Para que eu iria me preocupar? Tudo estava perfeitamente no lugar. Paz total.

Isso foi até começar a passar os famosos vendedores ambulantes. Vai um camarão aí chefe? Uma canga? Uma bolsa senhora? Uma tatuagem? Óculos aí dôtor? PQP só me faltava essa. Eu já não me lembrava disso. Até gente pedindo esmola eu vi. Até onde eu me lembre na praia tem sempre um querendo vender alguma coisa para ganhar dinheiro e não alguém querendo dinheiro sem trabalhar. Essa nova modalidade me assuntou. A mulher que me pediu esmola escutou algumas verdades que eu disse e ela me mandou enfurecida para o quinto dos infernos. Não sei onde fica, mas mais quente que ali onde estávamos não poderia ser. Então pedi o garçom para descer mais uma gelada. Eu quero me refrescar.


Fui dar o meu primeiro mergulho. Antes desse acontecimento tirei umas fotos para guardar de recordação. Viva a era digital, cheguei em Minas com umas 500 fotos. Pronto, mergulhei. Tudo estava indo bem até que vejo uma criança gritando SOCORROOOOOOOOOOO. Eu já estava no grau e nem dei muita confiança, imaginei que deveria ser um moleque querendo aparecer. Sempre tem os engraçadinhos querendo chamar a atenção dos pais. Mas os gritos continuaram e eu fique pensando. Será que ele está afogando ou será que é brincadeira? Se eu fosse socorrê-lo e me deparasse com uma piadinha de mau gosto, eu juro que iria enfiar a cabeça do moleque debaixo da água e só tiraria quando as borbolhas parassem de sair. Por isso, preferi não ir ajudá-lo. Eu poderia ser preso e minha alegria acabaria. Mas uma mulher veio desesperada e o salvou. Não é que o pivete estava afogando mesmo? Fiquei com um peso na consciência e por um instante imaginei que se ele morresse ali a poucos metros de mim, seria o fim das minhas pequenas férias. A partir desse episódio fiquei mais esperto aos fatos que ocorriam ali naquela areia. Tinha muito nego bobo (risos). Isso sem me excluir é claro.


Apesar desses fatos interessantes e engraçados, eu fiquei muito surpreso com as praias de Guarapari e de toda a região. São lindas e, diferente do que todos dizem, são muito organizadas. Lógico que tem um pouco de poluição que os turistas mal educados deixam, além da farofada, mas a prefeitura faz um belo trabalho de limpeza. O som alto nos carro é proibido e bagunça até de madrugada tem limite. Guarapari é hoje uma das praias mais lindas do Espírito Santo, mas quem vai apenas para ficar na praia do Morro não sabe o que está perdendo. Existem praias mais afastadas onde o número de turistas é bem inferior. Locais ideais para levar a família. Fiquei 7 dias por lá e aproveitei muito. São momentos que jamais esquecerei. Encontramos nossos velhos amigos e fizemos novas amizades também. Final da história: tomei milhares de litros de cerveja, comi muito, tirei milhões de fotos, fiz várias amizades, chorei preços com todos os vendedores ambulantes, falei igual pobre na chuva, fiz muita palhaçada, toquei violão até as pontas dos dedos ficarem na carne viva, namorei bastante e fiquei com a testa ardendo. Tudo do jeito que tem que ser, na medida exata.


Até mais Guarapari, eu volto se Deus quiser. Obrigado a todos que me receberam nesse lugar encantado. O povo capixaba sabe tratar bem os mineiros. E mineiro quando vê um mineiro em um outro Estado vira a maior festa. Foi o que fizemos (risos).


Ícaro Vieira



quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Meus anjos e demônios

Me inspiro nos teus lábios e volta e meia me perco no teu olhar

Instigante e profundo, vivo cada dia mergulhado no teu cheiro

Doce veneno

Que entranhado entre meus dedos tira o sono de quem é de carne e osso

Afeta e desequilibra qualquer cristão, pagão ou ateu

Beleza estonteante que veste teu rosto e esculpi um corpo infernal

Viciante e alucinógeno

Um sorriso que deixa segredos

Quem procura mais dança no teu jogo

Quem quer mais se perde no teu corpo

Quem quer cair fora encontra um beco sem saída

E sem teus braços envolventes a vida entrar em uma espiral demoníaca

Sem graça, sem fome, com dor e tédio

O nariz cheio de açúcar

Uma verdadeira viúva negra que abate o macho sem remorso e rancor



Ícaro Vieira

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A Noite Perfeita


Tudo parecia conspirar a favor. Tive uma noite tranqüila de sexta para sábado e não fiz nada de exaustivo que pudesse abalar o meu corpo no dia seguinte. Precisava de concentração, pois o que me esperava era algo que eu desejava há muito tempo e minha energia (corporal e mental) precisava ser carregada.

Antes do galo (pensar) em cantar eu já estava de pé. Energético e vibrante. O mau humor matinal rotineiro instituiu férias do meu corpo naquela manhã de sábado. Liguei o som e aumentei um pouco antes de entrar para o banho. Precisava decorar e afinar as cordas vocais para a Noite Perfeita. Saí da ducha mais vitalizado que antes, o tom certo e a dose exata de adrenalina estavam no meu sangue.

Tomei um café reforçado e li um pouco o jornal que estava sobre a mesa. Notícias relacionadas ao evento que iria acontecer naquela noite estavam por todas as páginas. Dessa forma eu ia me inteirando sobre as novidades e sentindo o clima do lugar. Troquei de roupa e fui direto ao centro da cidade resolver alguns problemas. Além do mais, precisava comprar algumas coisas para o aquecimento que iríamos fazer na casa da Rafaella antes do show e sentir na pele o aquecer que excitava toda a urbe. Cartazes por todos os lados, aglomeração em todas as esquinas. Tudo fervia de felicidade.

Comprei algumas caixas de cerveja e aperitivos. Logo a minha inquietação e da minha namorada se somaria a de mais 2 pessoas e juntos invadíramos o clube da cidade onde tudo aconteceria. Para terminar de vitalizar o meu gás, fui almoçar e em seguida embernar. Felizes são os ursos que dormem 6 meses seguidos. Tudo estava indo bem e nada poderia atrapalhar meus planos.

Acordei por volta das 18 horas, um pouco sonolento e o que eu mais precisava era uma gelada para abrir com chave de ouro a minha noite. Pronto, agora faltavam poucas horas para o show e despertei mais energético do que já sou de costume. Fui até a geladeira e como em um ritual sagrado abri minha primeira garrafa de cerveja. Minha garganta estava seca e áspera. Chamei minha namorada e os amigos para um brinde, afinal aquilo seria o começo de tudo. O começo de uma noite perfeita.

Aprontamos rapidamente e seguimos para o local do show. Nem fila enfrentamos e corremos para nos posicionar no melhor lugar. Nada e nem ninguém poderiam nos atrapalhar. Antes do inicio do espetáculo vi uma fila perto do palco e como bom curioso que sou, fui lá perguntar do que se tratava aquela aglomeração. Alguém disse: é pra ver o Leoni.
Rapidamente peguei minha lata de bebida alcoólica e entrei na fila. Não podia perder aquela oportunidade. Encontrar um ídolo cara a cara é algo mágico. Sabia que poderia me decepcionar, pois se o cara fosse antipático ou estrela demais, rapidamente o meu tesão iria por água abaixo.

Minha vez chegou rapidamente e ao descer as escadas para o camarim me deparo com ele. Sério e com cara de que acabou de acordar ele veio em minha direção. Abriu um sorriso cordial, apertei a sua mão e começamos a conversar como se fossemos amigos antigos. Tudo que um fã faz eu me propus a fazer naquela noite. Tirei foto, ganhei paleta, tirei mais foto e conversei o máximo que pude. Muitas palavras sumiram da minha cabeça, natural de quem fica nervoso. Mas isso não fez a menor diferença, saí do camarim outra pessoa, mais animado para ver o show. Voltei para o meu lugar e esperei nervosamente o início da apresentação.

Logo aparece um cara na frente do palco e anuncia o cantor. Gritos histéricos me ensurdeceram e não pude me conter. Aparece o Leoni com um violão maravilhoso tocando “Por que não eu?”. Em seqüência vieram outras belas canções que ficaram famosas na voz de Paula Toller. Parei pra pensar o quanto o Kid Abelha explorou a criatividade do Leoni, foram anos levando aquela banda nas costas e ainda acham que ele é que usurpou o Kid Abelha. Santa ignorância. Além das canções antigas, ele apresentou ao público novas músicas, tão boas quanto os velhos sucessos. Leoni continua ativo e melhor do que nunca. Sua voz melhorou com o passar dos anos, não desafina e não erra uma nota sequer e sabe como ninguém fazer um repertório perfeito. Presença de palco ímpar, diálogos com a platéia foram breves e precisos, ele sabe encantar quem está presente. O mais magnífico foi ver como um único violão e uma única voz podem fazer um belo show. Não senti falta da banda, ele é único e completo.

Uma surpresa para os fãs foi quando ele tocou a única música que ficou famosa em sua voz, “Garotos”. Ele fez a introdução e a platéia cantou na mesma sintonia. Rapidamente ele desceu do palco com o seu violão e caminhou no meio da galera. Um espetáculo a parte dado por ele e por todos que cantaram. Simplesmente surpreendente. Leoni soube mesclar o velho com o novo de uma maneira que o show não foi nem curto, nem longo. Foi do tamanho certo para deixar todos com gostinho de quero mais. E por falar nisso, o nome da turnê que foi na cidade chama-se a Noite Perfeita. Será por que hein?

No final da apresentação novamente a fila para vê-lo se formou e fui lá. Custei para entrar dessa vez, pois os seguranças disseram: Esse cara já entrou aqui e não pode ir de novo.
Mas dei o meu jeito e quando eles assustaram, eu já estava ao lado dele. E o mais incrível é que ele me chamou pelo nome. Conversamos mais um pouco e fui embora para casa com a alma leve e com a cabeça cheia de lembranças. Realmente a turnê faz jus ao nome. Essa foi a minha Noite Perfeita.


Obs: Para quem acha que Leoni já era, que é um cantor que ressuscita o passado e sobrevive das velhas canções, entrei no site: www.leoni.com.br
É um site muito interativo onde você pode baixar em alta qualidade as novas canções, conhecer sua nova banda e os seus projetos. Ele é um excelente compositor digno de fazer parcerias com Frejat, Cazuza, Alvin L. dentre outros. Além de um músico versátil, ele é uma ótima pessoa.

Saudades é o que sinto.



Ícaro Vieira

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Andy Mckee

Sou um amante da música. Na verdade sou fascinado, louco, alucinado por tudo que faz “barulho”. Não consigo passar um dia sem escutar uma boa canção, elas fazem parte da trilha sonora da minha vida. Devido a essa ambição musical, diariamente entro na internet, vasculho a parte cultural dos jornais e revistas à procura de novas bandas, estilos inovadores ou mesmo artistas clássicos que são esquecidos pelas mídias. Passo horas coletando informações e no final escuto várias canções para tirar as minhas próprias conclusões. Odeio a crítica jornalistas pré-fabricada, que se acha dona da verdade. Se algo é bom pra mim pode não ser para você. É por isso, que prefiro analisar bem as informações que estão por aí e escutar tudo que existe. Do lixo ao luxo.

Mas isso não importa agora. Em uma dessas viagens pelo mundo digital descobri um sujeito chamado Andy Mckee. Nascido nos Estados Unidos em 1979, Mckee é considerado um fenômeno, um guitarrista ousado, que utiliza uma técnica diferenciada no mundo artístico. Seu estilo de tocar ganhou destaque internacional e a cada dia ganha mais visibilidade. Com 4 álbuns em toda sua carreira, Mckee conta com influências diversas como: Eric Johnson,Dream Theater, Michael Hedges, Preston Reed, Björk, Metallica, Joe Satriani, Pantera, Toto, Peter Gabriel, King Crimson, entre outros.

Escute e principalmente veja o que esse cara é capaz de fazer. Surpreendente e emocionante.


Ícaro Vieira


terça-feira, 4 de novembro de 2008

Será que é o fim dos tempos?

Acordei atordoado durante a madruga, completamente molhado. Tudo era decorrente de um calor infernal que castiga os países dos trópicos. Cabeça latejando e a paisagem que circunda a janela estava intacta. Parecia uma pintura. Nenhum sinal de vento ou chuva.

Caminhei sonolento pelo corredor levemente iluminado pela lua, em direção à geladeira. Água era o bem mais sagrado naquele momento, juntamente com um ventilador, é claro. O calor era tão intenso que as estrelas davam a sensação de emitir calor, assim como o sol.

Abri com avidez a “fazedora de gelo” e me assustei com o pingüim que fica em cima dela. Estava dentro freezer, abatido e visivelmente choroso. Claro que aquilo não era normal e tive a sensação de que o calor era tão alucinógeno quanto um cigarro de ópio. Eu estava vendo coisas?

Instintivamente imaginei o que poderia estar ocorrendo com o meu enfeite de pingüim.

Tudo era proveniente do calor, ele deveria estar triste porque o mundo está se desmanchando, derretendo e seus familiares e amigos podem deixar de existir. Gritei abismado: CLARO QUE SÓ PODIA SER ISSO! Imagina a situação dos pingüins que vivem nas geleiras, a cada dia pedaços enormes de placas de gelo viram água e o efeito estufa está transformando os árticos em um microondas gigante. Ursos perderam suas vidas e as focas marinhas entre outros animas tipicamente “gelados” daqui a algum tempo deixaram de existir. A água cobrirá todo o planeta terra e nós humanos não fazemos nada. Nós só devastamos mais, compramos mais pra aquecer a economia que assim produz mais e consequentemente polui mais. Tudo isso aquece o planeta terra. Agora ficou claro. É exatamente isso que está se passando na cabeça daquele pequeno esfeniscídeo. Só podia ser isso que estava o deixando deprimido.

Para tentar amenizar a situação e evitar quem sabe um suicídio do bichano, proferi palavras de carinho e incentivo. Disse que tudo iria mudar, falei que seria um membro do Greenpeace e que de agora em diante lutaria pelo planeta.

Rapidamente ele me respondeu: Você está louco? O que você está falando sua anta. Fecha essa porta e vá dormir.


Eu: O que é isso pingüim? Só estou querendo ajudar. Vi a sua atual situação e já sei o que está ocorrendo, sei exatamente o motivo da sua tristeza.

Pingüim: Ahhhhh é? Você sabe? Não me faça rir seu humano idiota. O que é então que se passa comigo?

Eu: É por causa da destruição do planeta, das geleiras que estão se derretendo né?

Pingüim: Hahahahahahahahaha, claro que não. Você acha que eu vou chorar por isso? Motivos tão tolos que são simples de se resolver com ar condicionado, ventilador, geladeira pra fazer os gelos...

Eu: O que você disse? Não estou acreditando, porque você está tão triste e nervoso então?

Pingüim: Você não acompanha os jornais não seu desprovido de cultura popular? O Dado Dolabella brigou feio com a Luana Piovani. Isso é um caos, um casal tão lindo terminar assim. Eu quero morrerrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr. Oh! mundo cruel. O que vou fazer com todos os pôsteres que comprei deles juntos, todas as cartas que escrevi e ainda não encontrei e o blog que criei só para eles? A vida não tem mais sentido. Ohhhhhhh meu Deus, por quê?


Não acreditando no que ouvi, virei as costas e fui dormir. Mas antes desliguei a geladeira e deixei a porta aberta na esperança que toda a ignorância e a alienação desse povo pudessem morrer. Talvez assim o mundo poderia não acabar ou pelo menos, os jornais sensacionalistas e boçais não seriam uma realidade, pois não existiriam pessoas tolas para comprarem matérias idiotas.


Ícaro Vieira

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Gogol Bordello

Dizem que nova-iorque é um lugar diferente, que abriga todas as nacionalidades existentes no planeta terra. Segundo os críticos o que faz sucesso por lá, vai explodir depois no mundo inteiro. Foi assim com os Strokes, Kings Of Leon, Pearl Jam entre outros artistas da música. Pois bem, para mostrar a realidade e o peso da mística que envolve nova-iorque, a banda Gogol Bordello aparece para valorizar ainda mais isso. Com um estilo de música que podemos chamar de punk-cigano, o grupo é composto por músicos de várias etnias como Ucrânia, Rússia, Israel, Etiópia, China, Escócia, Tailândia, Equador, Japão, Romênia e é claro E.U.A.

Gogol Bordello sabe muito bem fazer uma mistura estranha, porém rica em ritmos, sonoridade e energia. É um dos shows mais quentes e animados dos últimos anos. O grupo mistura teatro, elementos circenses com música de qualidade. Impossível ficar indiferente quando a banda começa a tocar. Vale a pena ressaltar que em outubro o grupo estará no Brasil para tocar no Tim Festival. Assista aos vídeos e me diga se dá para ficar parado.








Ícaro Vieira