sexta-feira, 13 de julho de 2007

Parabéns Rock´n´Roll

Gritar, morder, beijar, embebedar, transar, amar, correr, chorar, fugir, cuspir, odiar, apaixonar... Essas são algumas das inúmeras sensações que um bom Rock´n´Roll pode aflorar no âmago do ser humano e faz a alma sentir uma overdose de sentimentos capaz de transformar as nossas vidas para sempre.
Nasci escutando Rock. Lembro-me muito bem do meu pai escutando Jethro Tull na sala, com o som no talo ou das minhas festinhas de aniversário com a criançada brincando no terraço ao som de Led Zeppelin, Pink Floyd, The Beatles entre tantos outros. É incrível como sinto necessidade de saborear pelo menos uma vez por dia o gênero, seja Pearl Jam, The Who, Stones e por ai vai.
Como não poderia deixar passar em branco, deixo a minha homenagem a uns dos dias mais importantes da humanidade – 13 de julho
O Dia Mundial do Rock.
Venho venerar os meus ídolos que fazem parte da minha formação, tanto cultural quanto pessoal e hoje agradeço a Deus por não ter na estante um cd do Zezé ou algo do Harmonia do Samba.
Para finalizar, estava lendo um blog hoje pela manhã que informava sobre este dia especial e como recompensa postaram um vídeo de um gênio, considerado um dos maiores cantores do mundo. A matéria convidava o internauta a assistir o vídeo da banda. Já vi este show umas 300 vezes, mas não me canso, ainda mais pela convincente chamada.
“Joe Cocker conseguiu o impossível. Colocou no chinelo a versão original de With a Little Help From My Friend, dos Beatles. Numa apresentação memorável, histórica, única, e drogado até a tampa, Joe levantou o público de Woodstock, em 1969.”
Preciso dizer mais alguma coisa para você assistir?
Apenas que Rock é isso ai.

Ícaro Vieira

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Um paraíso chamado INHOTIM


O Centro de Arte Contemporânea de Inhotim é um espaço na região
central de Minas Gerais que une, de maneira harmoniosa, natureza
e arte. Idealizado pelo empresário Bernardo Paz, o local, cercado
por uma natureza exuberante, é um lugar onde artistas podem se
inspirar para criar suas obras.
O grande parque ecológico contém aproximadamente 400 obras
de artistas de renome nacional e internacional, dispostas em 9
galerias e em toda área. O acervo se distribui entre esculturas,
pinturas e obras que são renovadas a cada dois anos, em sintonia
com a Bienal de Arte de São Paulo.
É a oportunidade única de conhecer o melhor da arte contemporânea,
além de apreciar a beleza privilegiada dos jardins, lagos e a arquitetura
das galerias.



Visão edênica disseminada em 35 hectares
de jardins paisagísticos projetados por
Roberto Burle Marx.



A perfeição da arte viva em um cenário
aprazível e inusitado.




O melhor da gastronomia oferecendo
variado buffet de saladas, pratos
"a La Carte" e deliciosas sobremesas.




O privilégio de gozar da arte e entrar
em sintonia com a obra literalmente.




A ebulição de idéias do criador fazendo
abrolhar uma obra marcante e significativa.





Uma volta arrebatadora a cultura Tailandesa.




Rafaella Rocha / Ícaro Vieira

sexta-feira, 6 de julho de 2007

No país da maracutaia

Um jovem empresário bem sucedido de uma importante cidade
metropolitana, tem um surto de loucura espiritual e decide ir até
uma pequena aldeia isolada do resto do mundo (retiros espirituais
estão na moda). Com o intuito de absolver energias positivas e lavar
a alma com a mais pura inocência dos índios Inocentys, ele pega o
seu jato particular e trilha em direção ao que no passado muito
distante era considerado o paraíso.
Estressado pela alta do dólar, queda da bolsa, superávit, taxa dos
juros entre outros problemas da conturbada vida moderna ele sonha
em eliminar pelos poros a falta de sono que o atordoa e dormir um
sono tranqüilo.
Chegando ao destino previsto, assusta toda a aldeia com o barulho
do seu avião; nunca se tinha visto algo tão medonho por aquelas
redondezas, o que voa por ali são os Deuses e os pássaros.
Depois de algumas horas, já vestido a caráter, ou melhor, quase nu
como os outros índios, as curiosidades de ambas as partes começam
a aflorar e agitar a natureza humana. Diálogos e aproximações
começam a aflorar.
- O que vocês fazem aqui o dia inteiro?
- Mim caça, pesca, nada, agradece aos céus, faz oca, amor...
- Só isso? Vocês não trabalham, vão ao shopping, compram carros?
- Mim não sabe o que é isso, é de comer?
- Isso é o paraíso que conquistamos através do dinheiro.
- Dinheiro? O que é dinheiro?
- Quando você trabalha é recompensado com dinheiro. Dinheiro é
tudo, sem dinheiro não podemos viver.
- Mim não ganha dinheiro, mas vive. Temos muita comida e alegria e
a cada manhã o sol vem nos abençoar.
- Isso está por fora. Vocês não pensam em proporções maiores? Lá
na cidade nós acumulamos mais e mais dinheiro, passamos por cima
de qualquer um que queira atrapalhar o nosso caminho. Matamos por
dinheiro, corrompemos, usurpamos...
- Matar uns aos outros?
- É...
- Mim só mata para comer, matamos animais para alimentar nossas
famílias. Nunca matamos nossos irmãos.
- Vale tudo meu amigo. Vivemos em uma selva de pedra.
O capitalismo é assim, fazemos guerra, destruímos a vida de muitos
povos para subirmos ao poder e dominarmos o mundo.
- Mim acha vocês violentos, maus, esquisitos.
- Esquisitos são vocês. Povinho mais sem graça, acha que viver nessa
monotonia é o Jardim do Éden. Lá nós compramos tudo, pagamos
vadias para nos dar prazer, pagamos mortos de fome para vigiarem o
nosso carro, homens para lutar como animais em arenas e
compramos até Deus. É só pedir ao padre para rezar uma missa em
nome das nossas almas que ele reza. Viu como é fácil?
- Mim não compreende. Vocês não têm amigos, fé, amor, compaixão?
- Não temos tempo para isso, o mercado é concorrido. Se estivermos
sozinhos, pagamos por uma companhia. Mudando de assunto quais
são os seus planos, projetos, ambições?
- Mim sonha com o amanhã, com as chuvas regando e florindo nossos
jardins, com os pássaros cantando, com nossas famílias saudáveis,
com a multiplicação do nosso povo, com a paz, com a sabedoria e
união de todas as raças.
- Deixa eu te falar, estou precisando de mão-de-obra nas minhas
organizações e acho que vocês poderiam ser úteis. Trabalho em troca
de Internet, dólares e carros. O que acha?
- Mim não quer.
- Aumento a proposta. Mulheres, avião, poder...
- Homem branco já ouviu falar em palavra, respeito, amor, ética,
transparência, moral, bons costumes, fé? A nossa felicidade não
depende de bens materiais e sim do amor que entregamos e
recebemos em proporções surpreendentes. A honra e o respeito
fazem a minha alma ser superior e por esse motivo tenho um sono
tranqüilo. Vai com os Deuses da piedade e até mais.
- Povo estranho! Nunca vi ninguém que não queria o poder, que não
queira ganhar vantagem em tudo. Vocês são amaldiçoados ou
doentes mentais? Acho melhor ir embora e procurar o meu médico.
Talvez uma garrafa de uísque importado e uma dose cavalar de
alguns comprimidos me devolvam o sono perdido. Adeus povo
estúpido.
- Por favor, homem branco. Só não se esqueça de passar na recepção
e acertar a sua conta. Aceitamos cartões de todos os tipos e
dividimos em até 3 vezes sem juros.


Ainda bem que ele foi embora, estava cansado de falar MIM vai, MIM
come, MIM pesca. Mais um otário caiu na nossa.

Hahahaha ele se acha esperto. Aqui é assim, é um passando a perna
no outro.


Enquanto isso...

Chefe, já podemos tirar essa fantasia ridícula de índio?

Moral da história = Simplesmente Capitalismo Selvagem.



Ícaro Vieira

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Tarde de Junho

Apenas um olhar...
O bastante para atravessar a minha retina e levar até o cérebro

uma maravilhosa sensação de prazer.

Olhos negros, grandes, saborosos como duas jabuticabas prontas
para serem colhidas no ápice do amadurecimento. Olhar instigante,
avassalador, fatal. Diria perfeito.
Logo em seguida, adentrei ao seu sorriso. Absolutamente inexplicável.
Poderia passar o dia inteiro tentado descrever, mas, prefiro não
me

arriscar.
Falante, desprovida de qualquer vergonha, articulada, um humor
delicado e aprazível. Os impulsos palpitavam em meus neurônios
adormecidos e anestesiados por tanta beleza e já era impossível
não me apaixonar. O pôr-do-sol ganhava tons maiores e o horizonte
coloria-se de um alaranjado instigante. Os pássaros cantavam a
mesma canção e bailavam em meio à harmoniosa melodia.
Seu vocabulário enfeitiçava os meus ouvidos e eu sorria para tudo
que era dito. Não conseguia controlar as minhas pernas; elas
tremiam a todo instante quando me arriscava uma tímida
aproximação.
O vento frio daquela tarde de junho acariciava os seus cabelos
negros e trazia para o meu arredor o seu perfume alucinador.
Transformava-me por um instante em um beija-flor pronto para
degustar o seu doce néctar. O fervor dos meus instintos atravessava
a minha falta de bom senso e o impulso era inevitável. Como um soco
disparado em plena uma agressão sem ser anunciada, lhe pedi um
beijo. A resposta veio entre sorrisos e desconversas. O mundo
parecia ter parado por um instante e tudo se calou.
Ela me olhou de lado e vagarosamente aproximei-me de sua face

angelical, tudo ficou em câmera lenta e não conseguia ouvir mais
ninguém, apenas o macio som dos seus lábios roçando entre os
meus. Lancei-me ao mar de sensações, desprovido de qualquer
equipamento de mergulho. Uma tempestade de emoções oriundas
do lado mais prazeroso do ser. Palpitações a flor da pele, arrepios
frenéticos, entusiasmo exacerbado. Alimentei-me do prazer

inigualável, da enxurrada alucinógena do seu beijo e abri os olhos
ao fim do turbilhão.
Ela sorriu e não me lembro o que disse. Não poderia pensar em
mais nada, estava entretido com a minha dopamina.
Embaraços à parte descobrimos um mundo particular, um universo

abstrato criado só para nós dois. Tudo conspirava ao nosso favor e
os anjos tocavam sua música celestial dando um ar misterioso ao
nosso fim de tarde.

Como um ser místico ela desapareceu entre a minha euforia e eu já
não
sabia se um a encontraria novamente.
A vida é mesmo engraçada e como
tudo que é especial e único um
dia
acaba, ela se foi. Mas toda noite
vem me ver no emaranhado
dos meus sonhos.



Ícaro Vieira

segunda-feira, 2 de julho de 2007

É a evolução



Que o homem irá destruir o mundo, eu tenho absoluta convicção.
Que a ganância e maldade estão por toda parte, eu não preciso dizer,
todos já sabem. Mas por alguns instantes (principalmente pelos bombardeios de notícias mais significantes como a liberdade adquirida
por Paris Hilton ou a separação da “loirinha dos dedinhos” Eliana) nos esquecemos o que já vem acontecendo com o nosso planeta desde o princípio de tudo.
Para visualizar melhor o que estou dizendo, assista ao clipe do Pearl Jam - Evolution (legendado). Uma verdadeira obra de arte permeada por uma melodia pesada, um vocal rasgado e uma letra revoltante. O som não poderia ser outro, é Rock´n´ Roll. Uma letra como essa não combina com pagode, samba, pop, tango, sertanejo ou qualquer outro estilo.
Se você não gosta do gênero musical, tenha um pouco de paciência e assista-o. Vale a pena.

Ícaro Vieira


sexta-feira, 29 de junho de 2007

Não volta nunca mais.

Já se foi o tempo em que não tínhamos hora para chegar em casa.
O MUNDO ERA LIVRE.
Onde a inocência acompanhava cada criança e a falta de maldade
permanecia nas almas infantis.
Já se foi o tempo em que corríamos descalços pelas ruas

esburacadas e barrentas da cidade, onde em cada esquina existia
pelo menos uma pipa sendo empinada com sol a pino, colorindo os
céus em um balé harmonioso. Tempo em que os passeios de terra
eram dominados por filas enormes de energéticos adolescentes que
jogavam bola de gude e pião. Dormia-se na casa do vizinho sem
nenhuma preocupação e sinal de chuva era motivo de alegria, de
renovação; pode acreditar.
Nos períodos de férias, todos saiam de suas casas durante a

madrugada para fazer um estrondoso luau entre as matas virgens

que se transformavam em um esplendoroso refúgio. A noite era
banhada pelas estrelas e regada com muita música e longas histórias.
Tempo em que não existiam computadores, orkut, celulares, MSN,

blogs de sacanagem... Tempo em que conversar olhando no olho

era o melhor passa-tempo. Perdia-se a noção das horas de tanto
papear e os pais nem se preocupavam com a demora dos filhos,
pois a cidade era adormecida pela calmaria de seus grilos, sapos,
insetos que cantavam suas canções de ninar só para nos ver dormir.
Almoçava-se ao meio dia com toda família junto à mesa.
A hora da
refeição era uma hora SAGRADA. Conversas, conselhos,

auxílios; tudo era servido no melhor estilo.
TEMPO BÃO.
Tempo em que jogar bola em meio aos paralelepípedos era o melhor

programa da sessão da tarde. Nadar pelado no rio e pegar
xistose
era natural e tradicional. Tempo em que todo mundo tinha um
avô que
levava os netos para pescar, que contavam longas histórias
sobre
mitos
antigos e que fazia a festa da criançada.
Leite vinha direto da vaca e não da caixinha (tem gente que nunca viu
uma vaca e acredita que o leite aguado que tomam todas as
manhãs
vem mesmo da caixinha), milho dava no pé e não na lata.
Briga de criança era coisa normal, apenas alguns tapas e empurrões.

E no final todos se transformavam em bons amigos comemorando a
nova amizade com um lanche da tarde e não no IML.
Tempo em que se brincava de cabra-cega, pique esconde, pula corda.
Tempo em que se respeitava os pais, os professores, os mais velhos.
Tempo em que as bebidas alcoólicas eram destinadas somente aos

adultos, a meninada acreditava em Papai Noel, Coelho da Páscoa,
Saci-Pererê, Mula sem Cabeça... Tempo em que acreditávamos nas

pessoas, não precisávamos assinar papéis.
Tempo em que não sabíamos da existência dos Calheiros, FHCS,

Barbalhos, Guimarães, Colors, Sarneys...
Tempo bão. Que não volta nunca mais.
Apenas a saudade perdura e abstratamente faz o velho mundo
vir
à tona em pensamentos retrógrados, antiquados, mas muito melhores
do que o caos e a desordem de uma vida desregrada e sem limites.

Saudades!!!


Ícaro Vieira

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Exploração ou diversão?

Será que estão me testando? Você me pergunta em alto e bom som.
Você precisa passar por tudo isso. Afirmo-lhe com toda convicção.
Não sei até onde você pode agüentar e a corda sempre arrebenta
para o lado mais fraco.
Cale a boca. Respire. Conte de um até mil. Deixe as pupilas
dilatarem, o sangue vai esfriar. Não se esqueça que você depende
deles. Analise os fatos e tome-os como base. Isso tudo fará parte do
aprendizado. São eles que mandam, que ditam as regras do jogo.
Você obedece. Compreendeu?
Exploração? Talvez. Diversão? Pode ser.
Difícil dizer o que se passa na cabeça de quem manda. Até hoje só
obedeci, nunca mandei. Extrair cada gota da sua riqueza, usar em
prol do benefício deles. Capitalismo selvagem.
Nem pense em descansar, corpo mole é motivo para demissão por
justa causa. Vamos ver até onde vai. Para sempre? Não. Você já está
ficando velho demais e a sua desenvoltura não é mais a mesma. Não
podem perder para a concorrência. Eles precisam de mentes jovens,
novas idéias, sangue novo. Sinto muito mas você não se encaixa nos
padrões atuais do sistema. Depois de assassinarem os seus mais de
50 anos dedicados à instituição, amputam os seus membros
inferiores e dizem com toda comoção para você seguir o seu caminho
com as próprias pernas.

Desculpe meu velho amigo, esqueci de lhe dizer. Sua aposentadoria
provavelmente não pagará os seus gastos e o momento que você teria
para descansar não existe mais. É melhor procurar fazer um bico para
somar ao orçamento final. Boa Sorte! Você irá precisar.


Ícaro Vieira