quarta-feira, 19 de março de 2008

Keane

Formada em meados de 1995, Keane é uma banda inglesa de indie rock, da cidade de Battle, East Susses. O trio inglês é formado por Tim Rice-Oxley, compositor e pianista, Tom Chaplin, vocalista e Richard Hughes na bateria. Mas até o ano de 2001 a banda tinha um guitarrista, Dominic Scoot, que deixou o Keane por divergências musicais e pela falta de sucesso inicial. Com influências escancaradas do U2, Coldplay, R.EM, Radiohead, o diferencial do Keane está na ausência de uma guitarra e de um baixo. É muito interessante ouvir um grupo de rock sem os famosos instrumentos que é substituido pelo piano marcante. Acho que exatamente por isso que a banda se deslanchou no cenário musical e é considera por mim um grupo ímpar, digno de respeito e admiração.







Ícaro Vieira

quinta-feira, 13 de março de 2008

Tudo novo de novo


Um mundo novo nasce a cada dia. A cada novo instante recebo novas informações, que aleatoriamente formam novas idéias. Assim, meus comportamentos nunca são os mesmos, meus ideais mudam, minha forma de ver a vida se transforma a cada nova primavera. Nunca sou o mesmo, sou melhor que ontem e pior que amanhã (ou vice e versa) e me surpreendo com as novidades que a vida me revela. Novidade, esta é a palavra. É o que me faz viver, ter vontade de seguir em frente e descobrir novas coisas. Qualquer coisa nova me atrai. Desvendar novos mistérios, novas aventuras, escrever novos textos, desfrutar de novas sensações. A verdade é que sem nada novo, não existe motivo para viver. Quero abrir os olhos de manhã e ir trabalhar, quero criar novos motivos para seguir em frente, nadar em um mar inexplorado, voar por um horizonte inacabado. Mundo louco mundo, sempre superando as expectativas e desenhando novos dias para todos nós. Você sabe o que lhe espera daqui para frente? Se vai viver, morrer, sofrer, rir? Novidades me atraem como os imãs atraem os metais. Quero ser bem mais maleável que sou, quero modificar tudo, bagunçar o certo, desorganizar o organizado, ter sempre uma história nova para contar. Quero progredir, evoluir, saltar para frente. Eu quero o novo e amo esse sentimento de transformação. Por isso, viva o novo de novo.



Ícaro Vieira

segunda-feira, 10 de março de 2008

Samba e cachaça para esquecer a desgraça

E o barraco anda cheio de amor
E o barraco anda cheio de bamba
É gente dançando em cima da mesa
Batendo panela e fazendo samba

Mais um gole na cachaça transparente
O cigarro no canto da boca
Esquece da vida cantando a muleta
Que requebra e gira feita piorra

Não tem aumento no aluguel que acabe com essa trama
Não tem falta de médico no hospital que adoeça a festança
A alegria enaltece a rapaziada que esquece os problemas
Cantando a pampa

Se falta dinheiro, comida, respeito, ninguém pode parar
A vida é dura aqui na favela (Brasil) não tem como negar
Mas entristecer e chorar é proibido meu irmão
Porque deixar de viver é morrer para sempre estando vivo

Ícaro Vieira

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Aos trancos e barrancos

Ele não sabe onde está e aquele aperto no fundo do peito aumenta freneticamente. Ansiosos vivem pouco e a intensidade dos sentimentos sufoca o choro seco que desce ríspido pela traquéia. Já não sabe exatamente o que sentir, como agir, se precisa fingir, fugir, sumir... Estranho seria se ele não sentisse nada, mas não. Ser humano que é e muitas vezes irracional, ele sente com toda vontade tudo aquilo que acontece ao seu redor. Absorve todo ardor e estremece até a ponta dos cabelos. Quer seguir em frente mesmo assim, quer chegar longe por ele e não pelos outros. Ele senti a falta de si mesmo que às vezes foge do seu eu, senti falta de um monte de coisas e principalmente das pessoas que insistem viver longe do seu ser. Ser esse que é estranho, instável, nervoso, impiedoso, mas que também chora e sofre quando pode.
Já passa das 5 da manhã e não consegue dormir. Ansiosos vivem pouco e muitas vezes preferem morrer para viver em paz. Mas ele não, precisa é de tempo para pensar, precisa digerir o que está acontecendo, precisa por a cabeça no lugar e acreditar que tudo que aconteceu de errado em sua vida não passa de pequenos equívocos.
O aperto no peito volta atordoar seu âmago e na abstinência de um colo materno derrama suas lágrimas sobre o travesseiro. Inunda seu ninho de bobagens e torce para que no amanhecer o rio de insatisfação e tristeza tenha evaporado.
Talvez esteja enganado mais uma vez, talvez seja apenas o efeito de ter passado alguns dias muito bem acompanhado e agora esteja sozinho mais uma vez. Fantasmas vêm e vão. Mas não se preocupe, a solidão lhe faz bem, pode acreditar.
Mais uma mentira das muitas que ele diz. Ele precisa de você, ele precisa dele, precisa de todos, ele não suporta a solidão e a rejeição é amiga do auto flagelo... mas mesmo que o ignorem, mesmo se não lhe quiserem, chegará sozinho no lugar mais alto para que um dia eles possam o ver lá de baixo. A persistência é o seu forte.

Ícaro Vieira

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sempre a mesma coisa e o país continua na merda

Inacreditavelmente ele chorou. Debruçou seu corpo pesado em cima da mesa de ipê amarelo que estava na entrada da sala de jantar e chorou seco. Cansado de tanta amargura, cansado de tanto apanhar, de sempre ser passado para trás. Ao fundo o som de um velho blues sangrava as suas mágoas e ele refletia com os olhos vermelhos sobre tudo o que permeava a sua vida. Todos os fracassos que inundaram o seu dia-a-dia, sua falta de coragem e principalmente a morbidez que lhe transformou em um vegetal. Nos pulsos as cicatrizes da dor, no subconsciente a maldade era freqüente aliada e nas horas de solidão cheirava todos os problemas em uma fungada só.
Caído em um quarto escuro, as velas iluminam o seu rosto enrugado e sofrido, enquanto as mulatas inchadas de tanto malhar e esculpidas em silicone, sambam patrocinadas pelo narcotráfico carioca que vai tomando conta da situação e do poder. Todos sorriem sobre o efeito do álcool e entre um golo e outro, um bacanal atravessa a noite fazendo a alegria dos gringos que se apaixonam pelas maravilhas sexuais do nosso Brasil. Exploração, suborno, sexo em troca de euros e dólares, tudo isso em troca de esperança. Dinheiro imundo oriundo do primeiro mundo. Lá tem educação, cultura, saúde, aqui eles compram diversão.
Nosso amigo sabe disso e anestesia a alma com uma garrafa de cachaça industrializada, vendida na esquina em doses que custam centavos. Álcool puro que desce goela baixo e faz a mente ir para o surreal. O desemprego o desespera, os postos de saúde sem médicos o desespera, a falta de professores qualificados e escolas o desespera, a violência em cada esquina o desespera, a população desesperada o desespera. Todos viram as costas e rebolam na boquinha da garrafa, espere só mais um pouco, depois do carnaval consertaremos aquele buraco na rua, iniciaremos a construção de um novo hospital, diminuiremos os impostos, o país voltará a crescer... sempre a mesma história e vamos vivendo um conto de fadas onde o príncipe nunca aparece para salvar nossas vidas. Depois que passa o carnaval a desculpa é a mesma, não temos verbas. Engraçado, para investir no carnaval o dinheiro aparece, para trazer gringos (não são todos) que fomentam a exploração sexual eles abrem os cofres públicos, mas para satisfazer uma necessidade básica para a nossa população, eles viram as costas. “Carnaval, futebol, não mata, não engorda e não faz mal”. É pensando assim que vamos vivendo nesse buraco sujo, imundo de tanta corrupção e vamos levando na bunda vendo a Mangueira entrar. Não, não estou falando da Estação Primeira de Mangueira, eu tenho pavor de escola de samba. Estou falando no pior sentido da palavra e que me perdoem os conservadores. É revoltante, mas é a mais pura verdade.

E aquele cara do início da história, continua decadente. Sem oportunidades decentes na vida, ele agora exporta mulheres gostosas para o velho mundo e vai ganhando a vida destruindo sonhos.
Sorria, você está no Brasil.


Ícaro Vieira

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Aguarde! O Quartel Alcoólatra Brasileiro invadirá Raul Soares


Estamos preparados e prontos para qualquer batalha. Brava gente que se une em prol da liberdade, de proteger um país e seus civis. Não deixaremos nenhum irmão deitado no chão, chamando urubu de meu loro, muito menos chamando o juca em vão. A partir de domingo estaremos nas ruas, prontos para qualquer emergência e eventual ataque em massa. Esse é o espírito, esse é o Quartel Alcoólatra Brasileiro que invadirá Raul Soares-MG.
Alguns irão dizer que é pura bobagem, vontade de aparecer e coisa e tal. Eu digo foda-se com a minha latinha na mão. Durante esses 5 dias de festa quem se importa com o que é certo, idiota, banal, egocêntrico, imbecil? Estou cansado de tudo, de fazer as coisas certas, de viver preocupado com a minha imagem, quero descansar um pouco e fazer o que eu quiser. Este é o momento certo para deixar de lado os preconceitos, os limites e aproveitar cada instante. Nesse período os santos viram loucos e os loucos viram maníacos. O povo fica ensandecido e a isbórnia é amiga de todo mundo.
Não quero saber das minhas contas, do meu IPVA que irá vencer no próximo mês, da conta de luz que aumentará, das guerras, da miséria. Estou absurdamente cansado desses assuntos que se renovam a cada ano. Precisamos de uma farra para sair da realidade e conseguir um pouco de energia para sustentar a nossa vontade de viver.
Irão dizer por aí que o Brasil nunca irá para frente, que pensamos apenas em festas, que o Carnaval é uma idiotice, que milhões de reais (dinheiro sujo de traficantes e bicheiros) são gastos com uma festa idiota, enquanto essa fortuna poderia salvar a vida de muitas famílias. Também concordo com tudo isso, mas meu amigo foi exatamente por isso que esse grupo de 20 amigos se uniu. Não ficaremos sóbrios nenhum instante desses 5 dias para não pensarmos e ao menos lembrarmos que esse país se une para realizar uma das maiores festas do mundo, enquanto foge para acabar com os problemas de uma grande nação miserável e doente.
Pode contar com o Quartel Alcoólatra, estaremos em cada esquina ajudando um pobre cidadão que deseja beber para esquecer os problemas.
Todos a postos? Sentido e operante?
Qualquer coisa é só tomar um plasil e está tudo certo.

Ícaro Vieira

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

The Jeff Healey Band

Banda Canadense, que leva o nome do seu "frontman" Jeff Healey. Nascido em 25 de Março de 1966, em Toronto, Ontário, Canadá, Jeff Healey perdeu sua visão com menos de um ano de idade devido uma rara espécie de câncer.
Quando ainda era muito jovem, ganhou de presente uma guitarra e adaptou o instrumento a sua maneira de tocar, que hoje lhe é uma característica própria, comumente chamada de "lap-top" (onde ele toca de uma maneira que envolve todos os dedos para tocar sua guitarra, apoiando-a em uma plataforma especial, ou nas pernas, onde ele ainda: toca com os dentes, com a guitarra sobre a cabeça e muitas vezes em pé agitando o público).
É impressionante ver esse músico em ação, completamente diferente de tudo que já vi. Além de um excelente instrumentista, ele ainda canta muito bem e escreve canções lindas. Vale a pena adquirir o cd “Cover to Cover”, onde ele faz interpretações de grandes clássicos dos Beatles, Creedence, Jimmi Hendrex entre outros feras da música.
Sabe aquela história de quando alguém perde a visão, a audição fica aguçada? Dizem que para compensar o que foi perdido né? É isso que acontece com Jeff Healey, pois o cara além de cego, é autodidata.
Simplesmente impressionante.




Ícaro Vieira